Psiquiatria e Psicanálise

ESQUIZOFRENIA   E    CANCER
(Mesmos Genes?)
Apresento uma frase de uma paciente de 17 anos que conheci há muito tempo.
A frase que ela me disse depois de levar mais ou menos uns 300 eletrochoques numa Clinica Psiquiátrica nos anos 70 no Rio de Janeiro, foi a seguinte
 “O câncer é a esquizofrenia das células”.
 Achei fantástica essa frase que me guiou sem eu mesmo me dar conta desde daquela época até agora.  
A paciente,  ficou um ano sem falar com ninguém depois dessa  celebre  frase que atribuiu à mim, até morrer.
Chegou a mim demenciada e atrás disto um resquício de esquizofrenia paranoide, que só apareceu depois de “curarmos juntos” sua demência  ocorrida após do grande número de eletrochoques.
Isto pode merecer uma explicação se alguém se interessar.  Ninguém na família da garota tinha tido câncer aliás eram todos de uma longevidade incrível.  A família costumava “encolher” (ao invés de morrer) durante muitos anos até finalmente um dia morrer.  Isto me faria pensar que tinham ido a Bulgaria se tratar com a Dra. Ana,  pois eram muitos ricos.  “Conheci várias pessoas assim”.
Olhando agora para traz e fazendo relatos para mim mesma sobre os ultimas descobertas genéticas do câncer e vi que são óbvias.  Sei desde pequena que câncer de mama passa de mae para a filha. Como sabia que diabetes era a mesma coisa.  Via  a família de minha mae morrendo de diabetes e a família de meu pai, apresentando loucura, doenças mentais as mais diversas.  Não estou tergiversando, nem querendo me expor.  Como é genético não é dado a ninguém o direito de escolher seu DNA, do qual tomei conhecimento no segundo ano da Faculdade de Medicina.  Tinha recém sido descoberto.  Foi uma festa.  Para mim fechou toda e qualquer duvida  a respeito da “herança genética”  que cabia a todas as pessoas da vila em que nasci.
Pai alcoolista, filho alcoolista, mae com câncer, filha com câncer.  Isto lacrou com selo de ouro meus conhecimentos infantis a respeito do que hoje se chama genética.  Foi observação minha pois ia a todos os enterros da pequena vila, representando a família. Hoje sei o nome das doenças que mataram a todos, um por um.  Na época nada sabia obviamente de câncer, cirrose, ou outra doença qualquer.  Mas fazia minhas contas. Eu adoro o obvio. 
Voltando a Esquizofrenia X Cancer de mama, vou relatar algo que nunca vi escrito mas parece que Freud  teria dito que ninguém tem duas doenças graves ao mesmo tempo.  Isto é: uma doença física e outra mental.  Agora acho, que é obvio que o mental manda em tudo, na magreza, na gordura,               no alcoolismo enfim qualquer coisa que se procure. 
A neurociência nos explicará tudo melhor.  Eu aguardo. 
Tive um paciente esquizofrênico cuja mae tinha câncer de mama “ela era jovem para ter esse câncer”  que na época era morte certa e lenta.  Isto aconteceu numa clinica onde estava a moça citada acima cuja mae era sadia.  Bem,para não entrar em delongas, como soe acontecer na família do psicótico, quando um melhora, o outro piora.  O rapaz saiu do surto psicótico e a mae cancerosa, só para  chatear o Dr. Freud, surtou e acabou por morrer esquizofrênica com câncer.  Proeza.
Acho que os pesquisadores  fizessem clínica junto às Pesquisas, descobririam mais rápido o que os genes são capazes de fazer e de maneira muito rápida.
 Já vi muitos “esquizofrênicos” colocando a esquizofrenia numa parte do corpo,  como na gordura, obesidade.
Nem vou falar nos que em vez de terem um surto na adolescência “são mais sadios”, se “casam” com quinze, dezesseis anos até vinte , vinte e dois.  Chamo-os de pessoas que se hospitalizaram uma no outro.  Ficam “deslocando” a doença em vez de adoecerem mentalmente,  fazem uma pseudo-família com filhos etc.
Separam-se aos 23, 24 anos, mas não tiveram o surto psicótico a que tinham “direito”  pela genética. 
Voltando a paciente da frase que me levou a fazer este pequeno trabalho eu queria dizer que a mae, não sei de onde, não tinha antecedentes genéticos com a melhora da filha aos sessenta anos, teve um câncer no intestino.  Tratada bem, viveu até os oitenta anos bem, quando uma teve uma recidiva do câncer de intestino, veio a falecer.   A filha já bastante livre da esquizofrenia, morreu pouco tempo depois com câncer de estomago.
Estou poupando meus leitores  colocando poucos casos clínicos.  Tenho muitos outros iguais. 
Agora tenho como técnica usual tratar do narcisismo auto destrutivo dos pacientes  psicóticos com parentes cancerosos durante bastante tempo, espaçando consultas, pois enquanto mais idades tiverem, menos riscos de câncer grave ou sem cura.



MAL  DE ALZHEIMER
Volto a escrever sobre o Mal de Alzheimer pois tenho adquirido alguma experiência com este mal que penso ser o mal da atualidade.
 Um problema de circulação cerebral e ao mesmo tempo uma diminuição da massa cerebral, que acontece na velhice.  Tenho a fantasia que a medida em que envelhecemos, e isso já sabemos, diminuímos como que por “encolhimento”  o cérebro.  Com isto a circulação cerebral diminui ou desaparece em alguns pontos.
Como é que a memoria recente é o principal aspecto que se apresenta, é o que eu não consigo entender.  Um dia alguém vai me dizer.  O que sei por enquanto é como tratar sem maiores sofrimento para o paciente, a família, para que todos estejam de acordo, quando a pessoa com o Mal de Alzheimer,        se mostra desmemoriada.
Há problemas  narcísicos mal resolvidos   em alguns familiares que não seguem  o que lhes é dito para fazer e irritam o idoso/idosa,  e a partir dai, começa um circulo vicioso e mal estar em casa.
A pessoa com o Mal de Alzheimer pode se tornar agressiva com o cuidador e fica taxada  como  a que precisa de uma internação.

O funcionamento da família é exatamente igual a da família psicótica.  -  O “louco” aqui é  o “desmemoriado” e é o que precisa ser afastado .  Não concordo com isso.   Deveria o Ministério da Saúde fazer um curso por televisão para ensinar as pessoas a tratarem dos seus velhos. 

PSICOFOBIA

Doença que atinge grande parte dos psiquiatras, atualmente, que discriminam os esquizofrênicos chamando-os e a seus familiares pelo nome de Transtorno Bipolar.

E agora, os mesmos colegas acham que esquizofrenia não tem cura.  E escrevem isto na mídia sem lembrar que tais pacientes tem risco de suicídio e dizer taxativamente que uma pessoa tem uma doença sem cura é empurrá-la para o suicídio.

É CRIME MESMO!!!


Publicado originalmente em: 12/11/2012



BATMAN X CORINGA

Incrível! Acordar de manhã e ouvir uma noticia terrível como a morte de 12 pessoas num cinema. Até um bebê. Um americano fez isso em sua própria casa e não no Iraque como Bush e na Síria como Obama. Tudo bem, isto é politica e terrorismo. O rapaz estudava neurociência. Isto pode levar, (na minha vã filosofia, adquirida por conta de minhas vivências infantis), o sujeito a pensar sobre a existência ou não de Deus. Todas as religiões tem um Deus. Um Deus fora de cada um de nós e que dá conta de cuidar de todos nós. Aprendi isso em criança no catecismo. Depois assisti sermões em missa desde 4, 5 anos de idade em que os padres vendiam cadeiras no céu, e falavam, por exemplo: que o Sr. João da Ferraria tinha lhe prometido um porco e uma galinha e que outra paroquiana tinha que casar de preto. Enfim eram coisas Fellinianas que me levaram a conclusão que este Deus não deveria existir. Devia existir sim, alguma outra coisa que eu não sei até agora. Estou assistindo sempre a procura cientifica do começo do mundo. Até agora não tive resposta como vocês meus leitores. Portanto desde pequena não acredito no Deus do Papa Bento. Acredito no deus do Joao XXIII, porque ele era puro de alma. Aparecia isto na sua doçura na gordura e sua bondade. As freiras com as quais fiz o ginásio, a maioria extremamente má como pessoa, se diziam noiva de Cristo. Jesus Cristo um grande sujeito, meu ídolo que não sabia que iria virar uma multinacional fantástica, com direito a Banco, lavagem de dinheiro e todas as outras sacanagens politicas e sexuais, que não vamos tratar aqui agora. Sou apenas uma ledora psicanalítica de noticias. Juntando lé com cré, imaginei Coringa, um assassino absolutamente frio e doloso e não apenas um assassino Louco. Há probabilidade raras, de um louco se tornar violento. Vi sua cara de paisagem na TV, e seu olhar era de psicótico. A postura de arrogância de american citizen Muito bem, muitos físicos e matemáticos, com traço de personalidade esquizofrênica chegam numa hora qualquer nos seus experimentos, não sei por que, chegam a descobrir que Deus não existe. Aquele que tudo vê e tudo faz. Neste momento (da descoberta de algo importante nos seus experimentos) eles ficam loucos, pois são propensos à Loucura e seu ego despedaçado perde-se de seu deus particular. Voltando ao Coringa, tem genes para esquizofrenia (psicose) , porém um esquizofrênico surtado não tem capacidade e nem vontade de matar os outros. Ele pensa em SE MATAR. Se chegar a matar alguém, raro, é por “acidente”. Não é doloso. O doloso é o que nasce com genes de bandido e BANDIDO NASCE BANDIDO E MORRE BANDIDO. E ninguém entende o que se passa na cabeça dele por isso o chamam de maluco. Coitado dos loucos!! O bandido pode ser diabético, esquizofrênico, louro, cineasta, deputado, banqueiro ou senador. Enfim para botar uma mascara contra gazes para jogar nos outros o Coringa se protegeu e tinha um apartamento cheio de armas coisa impossível para um psicótico. Me incomoda profundamente ouvir da mídia que não compreende o bandido, e nem eu, e chamá-lo de louco. O louco é compreensível. Para compreender o bandido tem que ser bandido, não acham? Volta a falar da falta de um deus e um diabo interno e não Deus que se existisse as pessoas seriam saudáveis e felizes pelo que contam os assessores terrenos dele. Não haveria fome na África, no nordeste os caras da Sudene já teriam resolvido o problema da seca, enfim NÃO haveria bandidos no mundo inteiro. Aliás, o primeiro bandido chamado Caim, segundo me consta foi o Deus que fez, ou foi o Diabo???? MAS DEUS NÃO MANDA EM TUDO? Não quero aqui provar nada , só mostrar a hipótese que tenho do Coringa (rapaz que matou as 12 pessoas). Acredito que o rapaz tenha enlouquecido ao descobrir a inexistência daquele Deus que fez o Céu e a Terra (ele estudava neurociência) e deu de cara com o seu bandido interno, que todos temos na fantasia, a não ser os mentirosos. Em vez de pensar como nós, ele AGIU e matou por ser bandido e não por ser esquizofrênico. Todos nós temos deus e diabo na fantasia, não quer dizer que vamos matar alguém, não temos o genes homicida. Isto é um recado geral, pois psiquiatras escandinavos (treze) achavam que um rapaz que matou várias pessoas (setenta) é esquizofrênico (da Noruega). Querendo que agente pense que Hitler era coitadinho, esquizofrênico e não genocida. Alias tem mais gente que precisa ir para a Corte de Haia, em vez de ganhar o Premio Nobel da Paz. Falando nisso meu diabinho interno acaba de me informar que o Catarata (Cachoeira) não tem nem deus nem diabo dentro dele, vai acabar encontrando um cara igual a ele. Vocês se lembram do PC Farias?? Eles devem ter outro tipo de Deus – o que joga, fiscaliza e cobra pênalti no fim do segundo tempo aos 47 minutos e 30 segundos. E o gol sempre é contra. FIM


Publicado originalmente em: 30/07/2012



ALZHEIMER

Querida Lydia, já que gostaste da aula de psiquiatria aÍ vai uma dica sobre como e fácil tratar pacientes com síndrome de Alzheimer:

1. Concordar com tudo o que o paciente diz e faz, menos com suicídio.

2. Preparar um cuidador que em geral é uma empregada doméstica e que logo vai aprender.

3. Não deixar os filhos chorarem se papai ou mamãe não os reconhecerem. Logo a pessoa que vai cuidar e a família do doente tem que deixar de lado seu narcisismo, botar no vaso e puxar a descarga.

4. Se a pessoa precisar de medicamentos para dormir, dar uma boa Receita Médica. O mesmo se estiver ansiosa durante o dia. O básico então é só isso. Tenho tratado muitos pacientes assim, sem o mínimo problema. Um problema que eu tive foi com uma filha de 60 anos que era minha paciente. E dizia chorando: “papai não me reconhece mais, quer voltar para Madureira, onde tem uma mulher e uma filha”. É claro que quem levou porrada de mim foi ela. Estava preocupada consigo mesmo!! Até que muitas porradas depois ela entendeu que a doença não era contra ELA . Um dia o pai com Alzheimer lhe deu uma joia, ele fora vendedor de joias. Ai ela entendeu que no inconsciente ele sabia quem era ela. Coitado do velho. Só há um problema por aqui Lydia, temos colegas bacanas que estão receitando um remédio caro e fantásticos que enlouquecem os pobres dos pacientes. Só não vou dizer o nome do mesmo que não sou burra e brigar com laboratórios. Só vou dizer como começa a bula e como termina. Aliás, me lembrei que há quarenta anos um colega me chamou de ledora de bulas, sou mesmo, ele por não lê-las ia deixar morrer uma paciente que cuidava e que eu passei a cuidar.

Pois bem Lydia, ai vai a Bula:

Primeira linha da bula: (este medicamento é para doentes com mal de Alzheimer). Última linha (este medicamento não pode ser usado por crianças de menos de 2 anos ou idosos com mais de 60 anos). Não é absolutamente fantástico??? Vai acontecer que daqui há alguns anos depois de haver muitos e sérios problemas como aconteceu na América Latino e na África – testadores de medicamentos de laboratórios como um medicamento usado no Brasil por muitos anos seguidos, para combater a hipertensão. Descobriu-se depois que ele servia para matar pulgas de cachorro. Via oral, hoje é vendido nas Pets.

Lydia, obrigada por me assistir, gosto de passar minha experiência. Antes de terminar quero falar que se o paciente ficar agitado, o que pode ocorrer, tem de tomar HALDOL mais AKINETON, ou ser hospitalizado se correr risco de vida. Neste caso se for alguém do sexo masculino, não haverá problemas. Se for mulher, agitada, precisara ser segurada por 6 enfermeiros, homens. Que o diga o enfermeiro de um hospício onde eu internei uma senhorinha agitada de 80 anos de 1 metro e meio de altura. Dopada com haldol mais akineton. Eu avisei que ela acordava as 4 da manhã e se estivesse agitada ele teria que arrumar 6 enfermeiros para segurá-la. Ele riu da minha cara e perguntou de onde eu tinha tirado isto. Eu respondi: da experiência. Pela manhã fui vê-la, o enfermeiro assustado, me olhou com os olhos bem abertos e disse: como é que a senhora sabia?? Nem perguntei o que era. Eu disse: da experiência (de novo). Ele falou: consegui só 5 enfermeiros. Eu disse: apanharam todos, né??? Eu disseseis!!! Na próxima vez acreditem na palavra experiência. E agora cuidem de seus arranhões ou o senhor não notou que ainda esta sangrando. Passa a régua.

Publicado originalmente em: 22/06/2012



BIPOLAR  E  ESQUIZOFRENIA

Tenho observado em minha Clínica, com pacientes, familiares como em supervisões de colegas, que o diagnóstico de Esquizofrenia ou esquizoidia está sendo confundido com o diagnostico de Bipolar. Como se este último fosse de mais fácil tratamento.

Com bastante frequência o termo Bipolar está sendo confundido. Para esclarecer aos meus colegas e leigos, o diagnostico de Bipolar é o nome atual do antigo diagnóstico de Psicose Maníaco Depressiva. Esta doença é grave e extremamente difícil de tratamento. O diagnostico de esquizofrenia ou esquizoidia até hoje é discriminado como se fosse uma diagnóstico de doença incurável.

Para a OMS (Organização Mundial de Saúde):

1. Esquizofrenia

2. Transtornos de Humor: - hipomania. - mania sem sintomas psicóticos - mania com sintomas psicóticos. -outros episódios maníacos. - episódio Maníaco não especificado.

3. Transtorno afetivo bipolar ou Psicose Maníaco depressivo.


Publicado originalmente em: 05/06/2012


PSICOPATIA

Amiga – primeiro queria te dizer que morro de inveja de quem estuda Química ou agora Genética. O DNA foi-me mostrado em 1960 em uma aula de Bioquímica em que o professor sisudo entrou na sala aos pulos dizendo “descobriram o DNA”. E nós todos, 108 babacas olhando para ele e não entendendo nada.

Eu trabalhava num hospício do século XXI, século XXI mesmo!!! chamado Clínica Pinel e fiquei pensando: Oba vão “achar a cura da esquizofrenia”. Que nada, ninguém quer cura de nada, como sabemos. Como somos irmãs de Prozac (pede o genérico que é mais barato). Podemos nos entender bem. Temos o mesmo tipo de personalidade também, o que é ótimo. Como sou chamada de empírica, pois observo tudo o que vejo acho que sei bastante até agora. Tenho 71 anos e 53 anos de loucura dos outros e 18 anos da minha. Vamos ao Psicopata.

O Psicopata NÃO sofre. Acho que quando ele iria sofrer, o superego dele acende uma luz vermelha e ele faz outra merda. Vamos pegar um homicida, que é um psicopata. Não é doente. Se não ficar preso, matará outro, outro, outro. Tive meu 1º paciente um esquizofrênico mais possível criminoso.  O paciente era paranoide, achava que a mulher o traia e foi colocado pela justiça “preso”, na Clínica Pinel, aos meus cuidados. São raros os casos assim. Por exemplo, o cara que matou na Europa 60 e tantas pessoas, foi declarado esquizofrênico por 13 psiquiatras. Eu particularmente acho que isto é a absolvição de “Hitler” – coitadinho era um “doente” mental.

O psicopata faz os outros sofrerem – é um criminoso. O meu possível criminoso já citado, quando chegava na 6ª feira em que os pacientes podiam ir para casa, na consulta ele conversava comigo legal. No minuto 50 (naquela época eu atendia 50 minutos) eu perguntava “e sua mulher?”. Ele começava a berrar que todo quarteirão ouvia. Só parava quando eu lhe dizia que então não podia passar o fim de semana em casa. “Obrigada, Dra. Senão vou ter que matar aquela p..” ele sabia o que poderia fazer. Não era um psicopata completo. Se fosse, ele não diria as palavras fiais que me disse todas as 6ª feiras de meus dois anos de pós-graduação. Diria por exemplo: “estou achando que ela me traiu”. “Bobagem minha”. “Estava louco”. Se eu fosse boba entrava na dele, eu lhe dava saída e ele provavelmente a mataria. Esse é o psicopata completo, nasce assim, vive assim, e morre com um tiro de outro psicopata.

As pessoas em geral preferem achar que as condições sociais é que levam as pessoas a cometerem crimes. Não acredito nisto. Conheci pessoas de todas as escalas sociais e sei que há bandidos nas classes A, B, C, D e F (que acabo de fundar).

O “meio” não faz o homem. A genética e o uso que cada pessoa faz do que recebeu desta genética determinam como será desde o nascimento até o futuro. Chamam-me de Lombrosiana. Tudo bem. São maneiras de ver as coisas - o dono de um armazém que vende cachaça, açúcar e outros “entorpecentes” não é julgado criminoso só porque vende coisas mortais tanto quanto ou mais que cocaína ou crack, mas a sociedade ainda acha que as “comidas, entorpecentes, remédios entorpecentes”, as ditas drogas legais não são criminalizadas.

A venda de cocaína, por exemplo, é criminalizada. É uma medida social. Todas elas podem ser modificadas. Não faço apologia das drogas ilegais. Só que as drogas legais matam muito mais gente que as ilegais, no mundo todo. Não tomo posição nisto porque só posso votar por mim e não por seis bilhões de pessoas do globo.

Outra observação minha. Nunca vi um psicopata me procurar para tratamento – estilo “Dra. estou aqui porque dei um golpe no BNDES”. Só viria se tivesse achado que poderia ter roubado mais. Mas nunca vi. Espero ter te ajudado ou começado um dialogo contigo.

Obrigada por me fazer pensar e trabalhar. Ambas as coisas me dão muito prazer. É um prazer escrever para uma pessoa jovem interessada em “coisas de adultos”. Obrigada mesmo. Um beijo. Carmem.

OS: Se precisar do Prozac não deixa de tomá-lo please.


Publicado originalmente em: 21/05/2012



CRACOLÂNDIA

CRACOLÂNDIA - O Pseudo-Tratamento

Dentro de minha paranoia, eu me dei conta hoje sobre o pseudo-tratamento que querem fazer com a Cracolândia e me dei conta, talvez, seja uma mísera cópia de um trabalho que eu enviei para Associação Brasileira de Psiquiatria para um Encontro de Psiquiatras.

A sugestão do trabalho não foi aceito, por razões operacionais do Congresso.

O trabalho era para esquizofrênicos, das coisas que eu sugeria que era um lugar em cada bairro do Rio de janeiro, no caso em S. Paulo, onde houvesse e uma casa para pacientes agudos, com quatro ou cinco lugares.

Seria um trabalho extremamente difícil de ser feito, mas poderia e deveria ser feito para os esquizofrênicos que são 96% dos pacientes doentes mentais mereciam ser tratados, e que estão deixados de lado.

Os cracks, cracôfilos, deveriam estar numa colônia de trabalho com alguém extremamente preparado, com um grupo extremamente preparado num lugar distante de qualquer cidade e se as pessoas fugissem by by . Se as pessoas ficassem trabalhando como diria Mao Tse Tung, elas poderia comer. Precisariam de psiquiatras extremamente preparados porque para tratar este tipo de droga, precisa saber muito. Muita pratica com doentes mentais e dependentes químicos. Este país está mostrando cada vez mais que cada vez menos , a gente quer tratar as doenças mentais.

Não me copiem porque eu fico muito chateada. Pelo menos digam “a imbecil da Carmem Dametto, sugeriu isto para os esquizofrênicos, agora agente está copiando, não custava nada, eu até iria aí, explicava e até estabelecíamos a Cracolândia, estabelecíamos o regime de funcionamento que seria uma grande comunidade terapêutica como há outras e que poderia vir , as pessoas os 4% ou os 2% ou 1% dos doentes mentais que usa crack, vir a tratar as pessoas (os 4% ou 2% ou 1%) dos doentes mentais que usa crack e ver que quem sabe, meio por cento se beneficiasse. Do jeito que estão fazendo quem vai se beneficiar são algumas pessoas, alguém que usa cueca... que não seja eu.


Publicado originalmente em: 04/03/2012




OBESIDADE E DEPRESSÃO

Escrevo sobre obesidade quando na verdade deveria escrever sobre varias substancias chamadas drogas.
Classifico as drogas em licitas e ilícitas. De antemão digo que as ilícitas são mais fáceis de tratar. Por quê? É óbvio. As licitas estão no supermercado. Das licitas, vi na minha vida apenas quatro casos de vicio em água. Um morreu afogado por dentro e sei de uma outra que brevemente vai morrer por absoluto desinteresse da família. E cá entre nós, poucos médicos ou nenhum que encontrei ate agora mostrando um trabalho em Congressos no qual fale como se pode morrer por só tomar água. Também não apresentei.

Os anoréticos não são levados em conta neste caso a que me refiro. Eu digo de pessoas que tomam de 10 a 20 litros de agua (somente agua) por dia. São casos raros mas como venho observando há 52 anos no trabalho psiquiátrico, pude ate agora ver 4 casos, portanto não se torna estatisticamente importante.

Voltando às drogas licitas – comida, fumo, álcool, medicamentos, as mais comuns, são de difícil tratamento.  Requerem uma grande autodeterminação do paciente que tem uma personalidade dependente (antiga classificação norte americana - “passivo dependente”), que foi deixada de lado e trocada por drogadição. Aquela tinha mais sentido. Quem é “dependente” pode depender de qualquer coisa – ervilha, uísque, chocolate, qualquer coisa vendável em supermercado ou farmácia. No caso só vou falar da obesidade que existe no mundo ocidental e cristão em que se desafia as pessoas a serem altas e magras sob pena de serem olhadas com nojo.

Obesidade sempre foi uma doença. Lembro que ao procurar um analista aqui no Rio de Janeiro, (para me tratar), estive com vários e quando cheguei à Dra. Marialzira Perestrello vi que era magra-gorda normal e lhe perguntei se fumava. Ela disse “não”. Disse-lhe que queria ficar com ela. Não faria analise com alguém dependente de comida ou fumo. Logo vamos deixar bem claro, o uso das drogas é apenas um sintoma de uma grave depressão. Você já viu alguém deixar de fumar e engordar loucamente?

A ansiedade que leva o dependente a procurar sua salvação da angustia está sempre numa coisa “fora de si mesmo”. Ele se sente uma “porcaria”. Ele não se basta, precisa de uma bengala. Ela procura a satisfação, num prazer que pode leva-lo à morte. Lembro-me de uma paciente obesa que tinha feito 20 anos de psicanálise e que um dia me procurou. A depressão não tinha sido tratada convenientemente. Quando ia comer um pedaço de bolo, o primeiro, não a satisfazia. O segundo também não e quando via tinha comido uma torta inteira e não estava satisfeita. Coisas do superego superexigente. Era uma pessoa extremamente alegre, bem disposta, trabalhava bem. Ninguém diria que estava doente e muito menos deprimida. Ate os meus colegas quem estivera. Pelo que ela me contou suas analises anteriores ninguém nunca lhe perguntou se ela pensava em se matar. A compulsão da comida, doces principalmente, deixa paciente e terapeuta muita vezes burros quanto a entender o mecanismo “vida X morte” que está implicado na dependência X depressão.

Quando vejo o meu amado Schumacher voltar às pistas eu sei o que ele quer. Morrer como Senna. Sei por experiência própria. Na mais profunda depressão eu tive um carro, marca SP2, que andava como o diabo. E minha “droga” era a velocidade. Fazia misérias e um dia voltando de Mangaratiba, estrada vazia e boa coloquei 160 km/h no carro. Passou uma fantasia “vou voar, que maravilha!!!!”, em seguida “posso morrer”.  As duas coisas, prazer e morte, absolutamente juntas. Voar é o máximo. Ícaro fez isto. Mas pode me matar.  Depois julgando calmamente comigo mesma o fato eu comecei a pensar que podia ter estourado um pneu, mil coisas podiam acontecer e eu morrer quando meu intuito consciente era ter o prazer de “voar”. É muito bom. Dificilmente eu dava caronas quando eu ia fazer estas proezas. Então inconscientemente eu já sabia da possibilidade da morte. Como todas as drogas. Mas tinha analise bastante na minha cabeça para ver tudo num “instante” e parar (milionésimo de segundo, que podia ser fatal). Então para mim é fácil saber o que “meu” Schumacher está procurando. Ele e o resto. Podem achar como outros já acharam. Não creio em “acidentes” nesta hora. Uma pessoa que come uma torta de 30 pedaços sabe o que vem depois. Não precisa ser medica. Diabetes, hipertensão.... o problema é que meus colegas “dietistas” que inventam sempre a “dieta do ano” não sabem que deveriam ter ao lado de seu consultório um terapeuta, um PSI. O paciente não precisa comer tanto porque o estomago ficou grande. É o contrario, o estomago ficou grande porque comia muito. E diminuir uma colher de arroz não é fácil. A pessoa precisa de alguém “fora” (de si) que lhe de um motivo e que a satisfaça. Que seja o Terapeuta mesmo, “uma colher de arroz”. Quando escuto de paciente que foi ao “dietista” e vêm com fórmula mágica e dizem “tenho que emagrecer 34 quilos”, eu sugiro ao paciente que esqueça os quilos, e que pense em perder uma grama. Se o paciente conseguir entender e fazer terá como dizia Melanie Klein (Psicanalista), um “momento depressivo”.

Isto é muito difícil para explicar psicanaliticamente, mas vou tentar aportuguesar. Digamos que o ego de uma pessoa, por angústia se divide em mil pedaços como a laranja se divide em gomos.

Daria um exemplo pratico - num milionésimo de segundo os vários gomos soltos de uma laranja se juntariam e formariam de novo uma laranja total. Enfim, é apenas isto o “momento depressivo”. Mas isto é Melanie Klein, não sou como um colega meu, famoso no mundo inteiro, que nunca citou suas fontes teóricas de conhecimento (Freud deve estar se mexendo na tumba). Enfim para os pragmáticos como eu, o individuo que deixa de comer um grão não precisa ser uma colher de arroz, deu um salto qualitativo dentro de seu esquema para o emagrecimento. Por isto eu não diria quilogramas. Quando sugiro caminhadas para os gordos, para começar com dez – vinte metros. É assim que faço comigo. Depois de alguém conseguir isto, ser aplaudido por um Terapeuta que sabe o que isto custa, em matéria de super exigência por parte do paciente, ele passa a ser aplaudido apesar de achar tudo muito pouco diante dos seus quilos. Mas o paciente obeso não pode ficar sozinho nesta caminhada. Precisa de alguém “fora”, o Terapeuta, para lhe dizer que tem capacidade interna (VIDA), de brigar com seus demônios (MORTE), e que está demonstrando poder superá-los. Isto é psicanalise, em português, não em psicanalês. Se o Terapeuta puder do alto do seu orgulho e sem neutralidade, contar uma vivencia sua, pode ajudar mais o paciente a não se sentir um monstro suicida e que por isso tem de comer mais em represália a si mesmo. O Terapeuta tem de ter paciência pelo paciente e com o paciente. (“superego mortal”). Não deve dizer que mude a dieta que faça isto ou aquilo.

Um dia fui ver uma paciente com duas internações por “alcoolismos”, em sua casa. Deparei-me com trinta latas de cerveja, enfileiradas. Sua fama de alcoolista era grande. Ninguém via sua depressão. Eu nunca falei,  sobre o álcool, como se não me tocasse com o numero de latas de cerveja. Algum tempo depois, ela me deixou sozinha no seu quarto. Fui ver se latas estavam vazias. Não. Como eu, ela só toma o primeiro gole. Mas é chamada de alcoolista. Como, da mesma forma, me chamou e escreveu na minha ficha um cardiologista. Ele tinha e que tem um apelido horrível. Se eu não tivesse visto começaria a fazer o que todo mundo faz “não beba tanto”. Enfim, acho que tive uma sorte danada ao poder verificar que havia trinta latas de cerveja quase cheias. O que havia mesmo era depressão, e minha descoberta só me faz mostrar os muitos pontos positivos da paciente e com isto ela vai saindo de sua depressão crônica e começando a gostar de si mesma.

Voltando à obesidade tirei um dia (20 de janeiro) para assistir de manha à noite, televisão. Fiquei pasma com o numero de programas de “como fazer comida”. “como comprar panelas”. Enfim tudo relacionado à comida. Vi filmes com (americanos) obesos mórbidos sendo operados dizendo que tinham emagrecido 120 kg numa semana. Só não mostraram o depois, que a gente pode imaginar. Claro que morreram. Não vi um Psicoterapeuta ao lado do obeso ou do médico operador. Enfim coisas da vida. Se você entende sozinho, tudo bem e fica quieto de preferencia. Se não entende fará parte do grande curral chamado Terra e não sofrerá ao passar por uma caixa de “Bombom Garoto” (só pode ser “Garoto”, meu preferido. Me esqueci do vicio da Bolsa de Valores. E é claro o vicio de Televisão que é algo extremamente deprimente e onde o depressivo senta e engorda vendo e sabendo do mal estar alheio. Isto o satisfaz um pouco. E muitas religiões fazendo milagres fantásticos. E o Procon? Propaganda enganosa??

Hoje acordei e ouvi na televisão a noticia de que enfim, no Rio Grande do Sul começou a funcionar uma comunidade terapêutica rural ( ou entendi mal, na empolgação da noticia?), para tratar de drogados. Insisto, acredito se não for algo politico. Não posso acreditar no que vão fazer em S. Paulo com a “cracolândia”. Isto é que é jogar dinheiro na cueca de alguns !! Na verdade as pessoas politicas que bolam este tipo de “tratamento” estão pensando em si, na futura eleição. Sabem tanto quanto eu que não vai funcionar. Tudo que diz respeito a vicio ou dependência tem que ser muito estudado e não ser feito em meses. Afinal não há para quem “bolou” este sistema de interesse por alguém for de si mesmo.

Vamos voltar à obesidade que nos trouxe aqui, você e eu, para discutirmos como não entrar nela e como sair dela.

Temos que discutir o que há de genético e o que há de social. As vezes a pessoa mesma tem de se virar e se tratar pois não herdou genes para engordar e sim genes para ser deprimida. Como o social entra nisto?

Em 1969 trabalhei na Biometria Médica do Estado da Guanabara. Um dia entrou na minha sala para pedir uma licença medica um senhor magro. Limpo. Sentou à minha frente e disse “Dra. Preciso me afastar de meu trabalho se não vou virar alcoólatra. (naquela época a palavra era esta). Eu perguntei o que já estava na ficha, sua profissão. Ele respondeu “gari”. “ Então o senhor começou a beber quando?” “quando entrei no serviço (não me lembro o nome do lugar) mas agora é Comlurb), o meu chefe, um engenheiro me perguntou se eu bebia. Eu respondi que claro que não. Aí ele me disse – vai a partir de amanhã sim, você não aguenta o cheiro”. Eu, 29 anos, vinda da melhor clinica de pós-graduação do Brasil na época, custei a entender. Mas foi uma boa maneira de poder entender uma outra coisa, ele magérrimo me disse que não precisava comer pois a cachaça tirava a fome. Na época a OMS diz que no “Brasil, Cachaça era alimento”. Continua sendo. Afinal este senhor tinha “uma saúde mental” impressionante, ele entendeu que ele não queria morrer, ele queria trabalhar. Dei-lhe uma licença fora do habitual (3 meses) e pedi readaptação de serviço. Naquela época existiam estas coisas. Uns tempos depois passou lá para me ver, com peso normal (“agora já posso comer”), me agradecendo seu novo trabalho. Enfim, isto é para mostrar que sua vontade de viver era muito maior do que a de ficar doente com o uso da cachaça. Não era do tipo dependente. O dependente de drogas, sejam licitas ou ilícitas, pode ter crises psicóticas ou neuróticas. Tanto numa como na outra pode facilmente tentar ou conseguir se suicidar.

Quando alguém mata um outra pessoa, em surto, como anda acontecendo atualmente e que é muito raro, significa que o paciente mesmo estando drogado mostra a sua parte homicida que normalmente nós não temos, pois loucura é loucura, homicídio é uma coisa que pode vir junto mas é caso judicial. Normalmente os psicóticos não agem, mesmo que pensem eles dizem que “quero matar papai” (por exemplo), mas não matam ninguém, tudo fica nas palavras e no sentimento.

No caso dos dependentes de alimentos como na obesidade, o excesso de comida leva a pessoa a inúmeras doenças como hipertensão,..etc. as quais não existiam em arvore genealógica.



Publicado originalmente em: 31/01/2012



Obesidade Infantil

Estou colocando no Blog um trabalho sobre a qual estou escrevendo um pequeno livro que se chamará “Obesidade e Depressão”.

OBESIDADE INFANTIL

Dormi com a TV ligada e acordei por volta das 03h30min hs com um programa na TV Globo “Entre as aspas” e ouvi coisas nas quais, como sempre, o óbvio é deixado de lado.

Havia um jornalista, uma médica pediatra e o entrevistador. Escutei todo e como sempre os culpados pela obesidade ou qualquer outra pereba que as crianças tenham, são os pais.

Irrito-me profundamente. Você já entrou num supermercado ou foi numa feira? Já viu uma criança pedir cenoura, cebola, aquelas coisas que as mães querem empurrar para as crianças e que até fizeram uma propaganda belíssima com um guri pedindo insistentemente. Espinafre.

Eu ria comigo imaginando a senhora mãe do Delfim Neto, pobrezinha, na feira escolhendo os verdes para ele comer e ele carregando a cestinha. Me comovi porque acho que a gordura dele, é genética, pode fazer a dieta que quiser, só emagrece se tiver doenças.

Saio de minha fantasia da madrugada, achei estranho, profundamente estranho tudo. O jornalista não mencionou a quantidade (um terço parece) dos Brasileiros, os que vivem com salário abaixo da linha da miséria. E alguns (apadrinhados) ganham uma tal de cesta básica composta de farinha, óleo de soja, arroz, feijão, fubá, açúcar e sal. Querido jornalista, tu sabes quanto custa um quilo de pera, de maça, de pêssego, melão e todas as frutas? Sabes o preço das mesmas que não estão na cesta básica que só favorece a gordura? Tu sabes o salário dos brasileiros ou só o teu? Tu sabes qual é a culpa dos pais na alimentação destes filhos? FALTA DE TRABALHO E SAIR DA LINHA DA MISÉRIA. Trabalha sério garoto, diz a verdade. Não a meia verdade, que os pais têm culpa e que não ensinam as crianças a comer. Vê a cara amarga do Delfim Neto. A mãe dele deve ser uma boa senhora, deve tê-lo ensinado a não comer porcarias.  Acho até que ele não come um chocolate, há muito tempo, pois tem sempre aquele rosto sorridente-amargo que vemos, e está OBESO.

Quanto à pediatra e as curvas da OMS, fiquei encantada. Minha nobre colega pensou que estava falando para uma plateia de médicos estúpidos. O cara da cesta básica não sabe o que é OMS (Organização Mundial da Saúde) e nem curvas. Curvas soam a Marrilyn Monroe. O “cesta básica” precisa saber que curva da OMS é um gráfico que mostra o crescimento da obesidade, não por culpa de sorvetes premiados ou Mc Donald’s da vida e nem dos pais. O “cesta básica” , a classe média, a classe alta e a rica, onde estão todos com o mesmo problema, precisa saber do porque as crianças e os adultos gostam tanto de carbohidratos (coisas engordativas). A colega já ouviu falar de ANSIEDADE, que faz o gordo comer qualquer porcaria para se acalmar? A matéria que assisti me ajudou a acrescentar algumas coisas no meu livro que estou escrevendo sobre depressão infantil – ou a criança fica com anorexia ou come como uma louca.

Pergunta à Globo – porque vocês não colocam várias CORA RONAI para estes programas que não podem e nem merecem esta superficialidade? Afinal quem vos assiste, deve ser respeitado, não é imbecil. Alias os programas matinais da Globo são todos engordativos. Já pensaram nisto? Ou a criança fica imbecilizada, imóvel com quadrinhos ou a empregada de rico ou de classe média pegando novas receitas para novas comidas engordativas. Não há programa que ensine de novo, como antigamente, as crianças a brincar, ter amigos, se mexer, perder peso? Vocês já viram quanto tempo o Bill Gates deixa seu filho no computador? Deviam dizer. Sobrariam muitas vidas. Eu sei que teria menos pacientes, mas meu desejo é que as pessoas sejam felizes e não precisem me procurar por ANSIEDADE ou por GORDURA ou qualquer outra coisa parecida. Não gosto de ver sofrimento, motivo pelo qual sou médica. Mas me interesso pelo que vai pelo mundo como pelas coisas mais importantes do meio jornalístico que não aprofundam nada. CORA RONAI pra nós na TV e não no jornal que é lido por uma elite que está pouco se lixando para o “cesta básica” e que vai malhar em academias.

CORA RONAI NA TV PARA NÓS!

Ps – porque sempre que se fala em crianças não se põe responsabilidade nenhuma na personalidade deles? Um bebê que não quer mamar é por culpa da mãe? Por favor!!!! Ele nasce com suas próprias predisposições genéticas. Mãe não é ser superior. O bebê pode não querer comer. Pode ser um deprimido com risco de vida.

Republicado originalmente em: 24/01/2012



ÉDIPO - A ENCRUZILHADA

Penso que é interessante para o leitor e para mim, mostrar minha forma de trabalhar como psicanalista fazendo psicoterapia com o psicótico, sem usar o que se pretende que o paciente faça uso na psicose – a transferência, que não nego existir na neurose, mas que no meu entender ao ser utilizada como forma de tratamento, só prolonga o processo de cura.

Colocarei no meu Blog uma parte de um Capítulo (de meu livro “O FILICÍDIO”) por vez com numeração que serão descritas depois. Desculpem mas não dá para escrever o capítulo inteiro.

ÉDIPO - A ENCRUZILHADA (1)
“Sempre que penso em Complexo de Édipo, me vem à cabeça uma relação afetiva triangular – pai, mãe, filho (a) e numa posição, no desenvolvimento emocional do bebê, que Melanie Klein denomina depressiva. Posição depressiva e fase edípica são sinônimos e que consegue resolvê-la adequadamente, cresce emocionalmente, mas, note-se bem, esta capacidade já se traz ao nascer. Explico melhor – continuo achando que muitas pessoas não chegaram sequer a beirar o que é chamado, em Psicanálise, “Complexo de Édipo”. Nelas a maturação emocional foi bloqueada bem antes deste estágio, em nível mais primitivo, na fase esquizoparanóide. Outras não foram capazes de chegar à posição esquizoparanóride, permanecendo na posição auto erótica. Não conseguiram da o salto “qualitativo” de que fala Freud, que é a resolução das emoções a nível mental, através do uso do narcisismo auto erótico e da consequente formação do ego. O ego então se forma a partir de uma nova força, o Narcisismo, que, segundo Freud, se agrega ao autoerotismo e que faz com que o bebê passe a resolver seus problemas a nível mental, não deixando de ser auto erótico, até poder ser resolvido a nível de patologia ou saúde. O narcisismo então é o salto qualitativo do instinto de vida que passa do corpo para a mente, possivelmente estimulado pela força da libido auto erótica. As pessoas normais fizeram este salto qualitativo naturalmente e se desenvolveram bem. Há crianças que param seu desenvolvimento na primeira posição mental que é o que M. Klein chama de posição esquizoparanóide. Outros bebês não conseguem dar o salto qualitativo, em grande parte de sua libido e se tornam doentes psicossomáticos. Não conseguem alucinar ou delirar, e atacam diretamente o próprio corpo. Assim como o esquizofrênico ataca a mente desfazendo seu ego, um paciente, por exemplo, com colite ulcerativa, ataca seu intestino. Ambos podem se suicidar ou morrer, a partir desses ataques internos, devido ao narcisismo auto erótico não resolvido.

 O paciente toxicômano e o hipocondríaco tem o mesmo mecanismo do paciente psicossomático. Sua libido permanece em grande parte auto erótica. Por isso são de tão difícil tratamento, apesar de uma grande parte de sua personalidade permanecer “normal”. Pode ser que esta seja minha maneira de explicar a formação do ego. É que, trabalhando com pacientes internados que são instinto auto erótico puro e simples, pude constatar a fragmentação a que alguns chegaram. Pode-se até dizer que não lhes restou nenhum resquício de ego. São pacientes, ditos esquizofrênicos, mas que na verdade só o serão quando puderem melhorar. Ser esquizofrênico significa ter ego, que é formado a partir do impulso interno auto erótico, ao dar de encontro com a realidade. Ás vezes até o inconsciente do paciente foi em parte destruído e tem de ser refeito. Na verdade o narcisismo é auto erótico, como o paciente é todo impulso e autoerotismo. Deixo bem claro que considero, (teoricamente certo ou errado), como auto erótica, qualquer manifestação afetiva que tenha o paciente contra ou a favor de si mesmo e/ou dos outros, neste estágio primitivo que falo.

A respeito do ego, sua formação e desagregação, refiro-me principalmente às pessoas de personalidade psicótica (2) e às que sofrem de doença psicótica de qualquer tipo. Na verdade, observando-se bem o doente psicótico, chama-nos a atenção o fato de que o pai não está presente, nem o relato da estória clínica. Numa anamnese bem feita, só aparece o pai, como figura significativa, em estórias de pacientes neuróticos e/ou de pacientes psicóticos extremamente doentes, em que o pai assumiu o papel de mãe, na falta ou absoluta impossibilidade desta. Mas é bom lembrar que neste caso o pai não é pai e sim “mãe”, ou talvez nem uma coisa nem outra, ao contrário da história do neurótico em que o pai representa a função de pai, sempre. O doente neurótico ou a pessoa de personalidade neurótica consegue chegar ao Complexo de Édipo e resolve-lo tornando-se sadio, ou não supera-lo apresentando, então, uma doença neurótica.

“Fantasias edípicas” (3), em pacientes psicóticos, existem só aparentemente. É comum em esquizofrênicos, uma situação em que dizem que querem ter relações sexuais com a mãe. Só que, neste caso, não se trata da mulher de seu pai, mas apenas de uma mulher, despojada de sua “função” de mãe do filho e esposa do pai. (4). No neurótico, o incesto ocorre a nível da fantasia. Se acontecer com o psicótico, o fato ocorre na realidade mesmo, numa ruptura psicótica, tanto no filho como na mãe.

O Mito de Édipo, transcrito abaixo, pode ser interpretado de modo diferente, se olharmos à luz dos conhecimentos sobre psicose.

Publicado originalmente em: 01/07/2007



A MAIORIDADE PSICOLÓGICA OU BANDIDO NASCE BANDIDO

 A Sociedade pode ser permissiva como a nossa, para querer entender psicologicamente o banditismo como efeito de falta disto ou daquilo. Eu chamo isto de efeito Brasília.

 - vou dar o exemplo de minha reles pessoa. Aos 4 anos de idade, por causa de um furúnculo no joelho “gostou Van?”, eu conheci um medico que veio me tratar e eu tinha que tomar um remédio qualquer. CHANTAGEEI MEUS PAIS exigindo de presente, em troca, algo que eu achava que deveria existir – panelinhas de alumínio para eu brincar com minha prima no porão de casa, onde, de vez em quando eu fazia fogueirinhas, E AINDA NÃO SABIA que podia queimar a casa. Aprendi aí.

Nesta idade, comecei a ler e escrever, (não sou nenhum gênio, por favor), para puxar o saco de meus pais.  Não era deliberado. Não sou candidata a Maluf. Devagar. Ia à missa e comecei a pensar uma coisa estranha - o que os padres diziam no sermão, não faziam na vida real (alguém viu "Amacord" do Fellini?).

Com as freiras que tive que estudar depois, consolidou-se minha descrença num “Deus”, o que me chateia muito porque eu gostaria de ter alguém para agradecer ou acusar pelas coisas que me aconteceram e me acontecem. Portanto, aos 5 -6 anos, idade que agente fantasia namorar o pai, eu fantasiei, MAS NÃO TRANSEI COM ELE. Sabia, legal, aos 5 – 6 anos o que era sacanagem e o que não era. As crianças que tratei com essa idade, também sabiam, tinham introjetado um superego que permitia algumas coisas outras não. É o começo do uso da moral e da ética. E nisto sou radical - O BANDITISMO É GENÉTICO. Quem nasce para bandido, o será independente da relação mãe-bebê e da relação social. Conheço inúmeros pobres (já fui de uma enorme família assim), que não produziu nenhum facínora.

 Voltando a minha vil pessoinha que acho que os deputados Gabeira e Clodovil, vão entender, pois são honestos, quero dizer que fui tentada a ser prostituta por parte de gente muito importante desta cidade. Não caí nesta. Fui convidada a trabalhar no teatro rebolado, (já fui gostosa sim!) e não caí na esparrela. Fui convidada a ser corrupta no trabalho, na Biometria Médica do Estado da Guanabara e no INPS, anos 80 e não aceitei. Será que sou um ser superior?? E que poucos brasileiros sabem o que é o certo e o errado? Vivi na mesma época destes caras de CPIs que QUEREM LIVRAR A PRÓPRIA CARA, ao dizer que um marmanjo aos 16 anos não sabe o que é matar alguém. Ora senhores, como diria Maria Bethânia, “eu não vou por aí”. Eles querem é, psicanaliticamente escrevendo, abafar os próprios crimes contra a sociedade.

 Moro ao lado da Rocinha e sei que há meninos de 10 anos no meio da rua, carregando armas maiores que eles. Vocês acham que eles não sabem o que é aquilo, companheiros de bancada, Senadores e Deputados ???? Meus queridos parlamentares, se é para fazer testes psicológicos no “garotinho” de 16 anos para saber se ele tinha conhecimento de que matar e roubar é crime, vocês vão criar uma nova classe de psicólogos - uns F.D.P. que para ter emprego, (corrupção) vão dar laudos e tratamentos e dizendo que “de menor”, não vai mais matar ou roubar. Desculpem meu radicalismo. Podem até me chamar de RADICARMEM. Quem mata um, mata cem, com algumas exceções, claro. Eu ouvi isto na TV Globo de um homem que tinha ficado não sei quantos anos preso por homicídio. Quando um jornalista lhe perguntou o que faria em caso de briga ou algo agressivo, ele simplesmente respondeu sem mexer um músculo no rosto “eu mato”. Se é para criar um Brasil hipócrita e mentiroso mais do que já é, sugiro Maluf para o próximo exercício presidencial. Ele mente com uma classe invejável!!!! PARDON mas é o que eu acho e talvez muitas pessoas pensem a mesma coisa e não tenham coragem de dizer, afinal, o povo brasileiro é um povo “pacífico” e eu sou agressiva.

Publicado originalmente em: 26/04/2007



RELAÇÃO MÃE – BEBÊ X GENÉTICA (Psicanálise)

 Desde Freud, nenhum autor em psicanálise deixou de mencionar a genética como algo importante na doença mental. Aliás, até hoje, a genética vem sendo ainda pouco utilizada nos diagnóstico em geral, pelo menos no Brasil. É que a medicina é feita em massa e não há tempo de um médico fazer uma anamnese adequada.

Acho que os médicos teriam obrigação de exigir tempo para tratar, mas nunca fui compreendida quando fazia discurso sobre isso já no século passado. Aliás, quase parei na prisão. Voltando a genética, eu penso que o ser humano, vivendo mais tempo que no passado, acaba por ter de morrer de alguma doença. Mas, ela sempre vem com características genéticas. Creio que depois da descoberta do DNA nos anos 50 se não me engano, nós não podemos negar a sua importância. Podemos só pensar que ele pode sofrer mutações e surgirem novas modalidades genéticas em uma família. O problema com a Psicanálise que é um tratamento anti-negação do REAL, isto ainda acontece.

 Freud falou que deixou varias batatas quentes para serem estudadas pelos colegas futuros. Ele achava que devíamos prosseguir teu caminho, principalmente em relação à psicose. Melanie Klein introduziu depois dele várias teorias muito interessantes que acho verdadeiras sobre o desenvolvimento emocional de um bebê. Acho que houve um excesso de seus seguidores ao colocarem em auto relevo num tratamento que ela chamou “relação mãe-bebê” e esqueceu da genética.

 Vejo relações mãe-bebê desde meus 18 anos (tenho 65 anos) e acabo por perceber a fundamental importância da genética. Porque dar tanta importância à mãe, a não ser como uma parceira numa relação de ida e volta com seu bebê? Um bebê que nasce com personalidade psicótica, herdada ou não dos pais, não vai ter culpa, vai ser segundo Bion (Livro Volviendo a Pensar), um bebê que vai ter “lesão” em uma ou mais das capacidades de percepção do mundo externo. Um bebê pode ouvir uma frase que não foi dita, pode contar que foi espancado, enfim, ter percepções sensoriais errôneas colhidas do mundo externo e que pode deixa-lo doente desde pequeno. As mães costumam dizer “era um bebê esquisito” quando adoecer mesmo mais tarde. Bebês que nascem com personalidade psicótica pode também, fazer um falso-self e funcionar perfeitamente para o mundo externo. Terá um vazio afetivo interno, de mãe, principalmente. Esse tipo de pessoa ao se submeter a tratamento psicanalítico tradicional ficará com um falso-self e maltratará a família.

  Eu, particularmente, não deveria, se não tivesse tanto empenho em cuidar bem da Psicanálise, que tanto me ajudou e que com isto posso ajudar tantas pessoas, falar sobre genética, porque é onde meus colegas param de pensar uma nova maneira de pratica-la. Por isto, sou em geral, a quarta, ou décima sexta analista dos meus pacientes. É raro aparecer um paciente com primeiro surto psicótico e melhorar logo. Não brigo com a mãe, bisavó, Adão e Eva. Brigo com o narcisismo patológico do paciente ou com o superego doentio do mesmo.

Publicado originalmente em: 08/04/2007



OBESIDADE INFANTIL _______ MÍDIA

Dormi com a TV ligada e acordei por volta das 03:30 hs com um programa na TV Globo News “Entre as aspas”, e ouvi coisas nas quais, como sempre, o óbvio é deixado de lado.

Havia um jornalista, uma médica pediatra e o entrevistador. Escutei tudo e como sempre os culpados pela obesidade ou qualquer outra pereba que as crianças tenham, são os pais.

Irrito-me profundamente. Você já entrou num supermercado ou foi numa feira? Já viu uma criança pedir cenoura, cebola, aquelas coisas verdes que as mães querem empurrar para as crianças e que até fizeram uma propaganda belíssima com um guri pedindo insistentemente espinafre?

Eu ria comigo imaginando a senhora mãe do Delfim Neto, pobrezinha, na feira escolhendo os verdes para ele comer e ele carregando a cestinha. Me comovi, porque acho que a gordura dele é genética, pode fazer a dieta que quiser, só emagrece se tiver doenças.

Saio de minha fantasia da madrugada, achei estranho, profundamente estranho tudo. O jornalista não mencionou a quantidade (um terço parece) de brasileiros que vivem com salário abaixo da linha da miséria. E alguns, (apadrinhados), ganham uma tal de cesta básica, composta de farinha, macarrão, óleo de soja, arroz, feijão, fubá, açúcar e sal. Querido jornalista, tu sabes quanto custa um quilo de pera, de maça, de pêssego, melão e todas as frutas? Sabes o preço das mesmas que não estão na cesta básica a qual favorece a gordura? Tu sabes o salário dos brasileiros ou só o teu? Tu sabes qual é a culpa dos pais na alimentação destes filhos? FALTA DE TRABALHO E SAIR DA LINHA DA MISÉRIA. Trabalha sério garoto, diz a verdade. Não a meia verdade, que os pais têm culpa e que não ensinam as crianças a comer. Vê a cara amarga do Delfim Neto. A mãe dele deve ser uma boa senhora, deve tê-lo ensinado a não comer porcarias.  Acho até que ele não come um chocolate, há muito tempo pois tem sempre aquele rosto sorridente-amargo que vemos, e está OBESO.

Quanto à pediatra e as curvas da OMS, fiquei encantada. Minha nobre colega, pensou que estava falando para uma plateia de médicos estúpidos. O cara da cesta básica não sabe o que é OMS, (Organização Mundial da Saúde), e nem curvas. Curvas soam a Marilyn Monroe. O “cesta básica” precisa saber que curva da OMS é um gráfico que mostra o crescimento da obesidade, não por culpa de sorvetes premiados ou Mac Donald’s da vida e nem dos pais. O “cesta básica” , a classe média, a classe alta e a rica, onde estão todos com o mesmo problema, precisa saber do porque as crianças e os adultos gostarem tanto de carbohidratos (coisas engordativas). A colega já ouviu falar de ANSIEDADE, que faz o gordo comer qualquer porcaria para se acalmar? A matéria que assisti me ajudou a acrescentar algumas coisas num livro que estou escrevendo sobre depressão infantil – ou a criança fica com anorexia ou come como uma louca.
Pergunta à Globo – porque vocês não colocam várias CORA RONAI para estes programas que não podem e nem merecem esta superficialidade? Afinal quem vos assiste, em geral, não é imbecil. Aliás os programas matinais da Globo são todos engordativos. Já pensaram nisto? Ou a criança fica imbecilizada, imóvel com quadrinhos ou a empregada de rico, e de classe média fica pegando novas receitas para comidas engordativas. Não há programa que fale de novo, como antigamente, que as crianças precisam brincar, ter amigos, se mexer, perder peso? Vocês já viram quanto tempo o Bill Gates deixa seu filho no computador? Deviam dizer. Sobrariam muitas vidas. Eu sei que teria menos pacientes, mas meu desejo é que as pessoas sejam felizes e não precisem me procurar por ANSIEDADE ou por GORDURA ou qualquer outra coisa parecida. Não gosto de ver sofrimento, motivo pelo qual sou médica. Mas me interesso pelo que vai pelo mundo como pelas coisas mais importantes do meio jornalístico que não aprofundam nada. CORA RONAI pra nós na TV e não no jornal, que é lido por uma elite que está pouco se lixando para o “cesta básica” e que vai malhar em academias.

CORA RONAI NA TV PARA NÓS!!!!!!

Ps – porque sempre que se fala em crianças não se põe responsabilidade nenhuma na personalidade delas, afinal são pessoas e escolhem . Um bebê que não quer mamar é por culpa da mãe? Por favor!!!! Ele nasce com suas próprias predisposições genéticas. Mãe não é ser superior capaz de mutilar as emoções mais profundamente do seu filho.

Publicado originalmente em: 18/03/2007





CARMEM DAMETTO - DOENÇAS MENTAIS E SEU TRATAMENTO

A ideia do Blog vem do fato de eu pensar que tenho uma longa experiência que me foi proporcionada por mestres, colegas e pacientes, a qual tenho o dever de passar adiante para que os que quiserem me ler.
Minha experiência com doenças mentais começou no primeiro ano da Faculdade de Medicina da UFRGS em 1960, na primeira comunidade terapêutica fundada no Brasil. Nela se aprendia sob a direção de Marcelo Blaya Perez, como tratar doentes de forma humana e carinhosa, com psicoterapia, terapia ocupacional e medicamento. Meus 6 anos de Faculdade foram passados lá, onde continuei com residência e pós-graduação em Psiquiatria por 2 anos. Vim ao Rio de Janeiro, me tratei e fiz o Curso de Psicanálise na SBPRJ, 5 anos. Logo, dos meus 65 anos, passei convivendo com e estudando as doenças mentais há mais ou menos 40 anos.

Proponho-me neste Blog colocar artigos que acho serem inteligíveis por qualquer pessoa.

Publicado originalmente em: 02/03/2007






1º PARTE: BRASIL, PAÍS SEM SUPEREGO

Assisti um debate na TV Globo no qual se enfatizou que o problema da violência está ligado à falta de estudo.
Fiquei contente porque até pouco tempo a violência era ligada à doença mental, motivo pelo qual escrevi num dos meus livros um capítulo. Voltando ao assunto escolaridade, queria dar meu depoimento pessoal. Fui criada numa zona italiana no Rio Grande do Sul (Carlos Barbosa), onde a grande maioria das pessoas eram analfabetas como a senhora mãe do Lula. Não conheci bandido. E havia muitos loucos. Meus colegas de grupo escolar só fizeram o curso primário e nenhum se tornou criminoso. Eu fui em frente e acabei por estudar Medicina na mesma época e mesma Universidade em que Marco Aurélio Garcia fazia Direito e eu era sua secretária na FEURGS. Depois por um acaso da vida acabei sendo titular da cadeira de Psiquiatria da Faculdade de Medicina de Vassouras, onde o grande problema que encontrei era o semianalfabetismo de muitos estudantes. Os alunos aprendiam a Psiquiatria, mas escreviam tudo errado.
Minha filha teve ensino primário e secundário em meio à classe média, um dos colegas dela, rico, tornou-se traficante de drogas e foi morto antes dos 20 anos. No próprio debate de hoje, o apresentador cometeu vários erros de Português , o que não é incomum na TV Globo. Por sinal me incomoda muito e pediria a Regina Casé que refizesse o comercial do canal 58, onde em vez de dizer "as trinta milhões de pessoas..." dissesse “os trinta milhões de pessoas”. A propósito ponho-me à disposição da Rede Globo para o ensino de Português, FREE.

2º PARTE: TRATA-SE DO PROBLEMA DO SUPEREGO

Nos anos da ditadura, cometeram-se muitos crimes contra as pessoas e contra instituições. Instituiu-se a CENSURA, um superego extremamente exigente com as pessoas e mau, e da mesma forma leniente com os desmandos do Planalto. Criou-se A IMPUNIDADE. E desde aí, esta vem grassando tenazmente. Nosso problema social, O CRIME, vem do Planalto e dele continuará vindo se não pintarmos a cara como fizemos com o aprendiz Fernando Collor de Mello. Ele foi punido pelo Jardim de Dinda. O superego funcionou bem, com ele. Depois disso o superego se soltou. As pessoas não nascem naturalmente boas ou más, logo, atrás do social existe uma genética pessoal. Eu por exemplo, não mataria, como muitos miseráveis, não por virtude, mas por ter uma genética não criminosa e um superego normal. Um país que como o nosso, beneficia e premia os criminosos comuns e do Planalto com impunidade, não pode dizer que o problema básico da criminalidade e da violência é falta de estudo. Todos os ladrões do Planalto que conhecemos através de CPIS, sabem muito bem do que falo. Eles, com sua impunidade, são exemplo para os que como eles estão marcados geneticamente para crime.
São doutores e aboliram o SUPEREGO


Publicado originalmente em: 02/03/2007






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