domingo, 8 de abril de 2007

RELAÇÃO MÃE – BEBÊ X GENÉTICA (Psicanálise)

RELAÇÃO MÃE – BEBÊ X GENÉTICA (Psicanálise)

 Desde Freud, nenhum autor em psicanálise deixou de mencionar a genética como algo importante na doença mental. Aliás, até hoje, a genética vem sendo ainda pouco utilizada nos diagnóstico em geral, pelo menos no Brasil. É que a medicina é feita em massa e não há tempo de um médico fazer uma anamnese adequada.

 Acho que os médicos teriam obrigação de exigir tempo para tratar, mas nunca fui compreendida quando fazia discurso sobre isso já no século passado. Aliás, quase parei na prisão. Voltando a genética, eu penso que o ser humano, vivendo mais tempo que no passado, acaba por ter de morrer de alguma doença. Mas, ela sempre vem com características genéticas. Creio que depois da descoberta do DNA nos anos 50 se não me engano, nós não podemos negar a sua importância. Podemos só pensar que ele pode sofrer mutações e surgirem novas modalidades genéticas em uma família. O problema com a Psicanálise que é um tratamento anti-negação do REAL, isto ainda acontece.

 Freud falou que deixou varias batatas quentes para serem estudadas pelos colegas futuros. Ele achava que devíamos prosseguir teu caminho, principalmente em relação à psicose. Melanie Klein introduziu depois dele várias teorias muito interessantes que acho verdadeiras sobre o desenvolvimento emocional de um bebê. Acho que houve um excesso de seus seguidores ao colocarem em auto relevo num tratamento que ela chamou “relação mãe-bebê” e esqueceu da genética.

 Vejo relações mãe-bebê desde meus 18 anos (tenho 65 anos) e acabo por perceber a fundamental importância da genética. Porque dar tanta importância à mãe, a não ser como uma parceira numa relação de ida e volta com seu bebê? Um bebê que nasce com personalidade psicótica, herdada ou não dos pais, não vai ter culpa, vai ser segundo Bion (Livro Volviendo a Pensar), um bebê que vai ter “lesão” em uma ou mais das capacidades de percepção do mundo externo. Um bebê pode ouvir uma frase que não foi dita, pode contar que foi espancado, enfim, ter percepções sensoriais errôneas colhidas do mundo externo e que pode deixa-lo doente desde pequeno. As mães costumam dizer “era um bebê esquisito” quando adoecer mesmo mais tarde. Bebês que nascem com personalidade psicótica pode também, fazer um falso-self e funcionar perfeitamente para o mundo externo. Terá um vazio afetivo interno, de mãe, principalmente. Esse tipo de pessoa ao se submeter a tratamento psicanalítico tradicional ficará com um falso-self e maltratará a família.

  Eu, particularmente, não deveria, se não tivesse tanto empenho em cuidar bem da Psicanálise, que tanto me ajudou e que com isto posso ajudar tantas pessoas, falar sobre genética, porque é onde meus colegas param de pensar uma nova maneira de pratica-la. Por isto, sou em geral, a quarta, ou décima sexta analista dos meus pacientes. É raro aparecer um paciente com primeiro surto psicótico e melhorar logo. Não brigo com a mãe, bisavó, Adão e Eva. Brigo com o narcisismo patológico do paciente ou com o superego doentio do mesmo.

6 comentários:

Maira Parula disse...

brigar com o narcisismo "maligno" pode ser uma luta vã, enquanto lutamos, mal rompe a manhã...não é mais ou menos isso que diz o poeta? falando nisso, já leste o meu livro? prato cheio pra divã. vários estudos de casos num só volume, embalados de literatura. tua opinião seria importante pra mim. peça "Não feche seus olhos esta noite" na livraria e ajude uma criança pobre. beijos saudosos. :)

Carmem Dametto disse...

Querida Maira, vou procurar teu livro e certamente aprenderei muitas coisas novas. espero nao brigarmos por causa da genetica. u8m beijo grande Carmem

Vanessa Ornella disse...

Carmem, precisamos falar sobre isto na semana que vem. Narcisos patológicos não gostam de dividir a joelhaçoterapia com mais ninguém.

Vou mandar a minha mãe te procurar. Ela deve ser mais patologicamente narcisista do que eu. Mas agora me diz, numa boa: existe quem não seja? Fiz uma lista das 10 pessoas mais próximas de mim e todas elas são. Será que todo mundo é uma ilha? Tipo assim: fudeu, não há a quem recorrer, só ao espelho?

Tou preocupada. :o(

Carmem Dametto disse...

vanor o pior é que está absolutamente certa qunto ao número de narcisistas patológicos que morreraõ sem saber disso pois seu Qi é baixosofrem e acham que a vida é assim mesmo
onarcisico patológico não gosta de espelho isto é olhar para dentro de si e se conhecer
a gente se ve beijão

Carmem Dametto disse...

maira brigar com o narcismo patológico não é luta vã a gente se conhece no que tem de bom que e mais de metade da gente e conhece e faz as pazes com o lado dark que a gente não suporta sentir
ainda não comprei teu livro vou ligar amanha para a argumento e ver se eles me trazem.beijo carmem

Maira Parula disse...

oi, carmem. te agradeço a força. meu lado obscuro eu apascento colocando-o pra fora nas coisas q escrevo. talvez literatura seja isso um pouco tb. não me cobro grandes vôos. a megalomania tem de estar sob controle. sinto necessidade de escrever. só isso. se querem me chamar de escritora, não desaponto ninguém. que chamem. quero sossego. beijão estalado na bochecha.