sexta-feira, 2 de março de 2007

1º PARTE: BRASIL, PAÍS SEM SUPEREGO

Assisti um debate na TV Globo no qual se enfatizou que o problema da violência está ligado à falta de estudo.
Fiquei contente porque até pouco tempo a violência era ligada à doença mental, motivo pelo qual escrevi num dos meus livros um capítulo. Voltando ao assunto escolaridade, queria dar meu depoimento pessoal. Fui criada numa zona italiana no Rio Grande do Sul (Carlos Barbosa), onde a grande maioria das pessoas eram analfabetas como a senhora mãe do Lula. Não conheci bandido. E havia muitos loucos. Meus colegas de grupo escolar só fizeram o curso primário e nenhum se tornou criminoso. Eu fui em frente e acabei por estudar Medicina na mesma época e mesma Universidade em que Marco Aurélio Garcia fazia Direito e eu era sua secretária na FEURGS. Depois por um acaso da vida acabei sendo titular da cadeira de Psiquiatria da Faculdade de Medicina de Vassouras, onde o grande problema que encontrei era o semi-analfabetismo de muitos estudantes. Os alunos aprendiam a Psiquiatria mas escreviam tudo errado.

Minha filha teve ensino primário e secundário em meio à classe média, um dos colegas dela, rico, tornou-se traficante de drogas e foi morto antes dos 20 anos. No próprio debate de hoje, o apresentador cometeu vários erros de Português , o que não é incomum na TV Globo. Por sinal me incomoda muito e pediria a Regina Casé que refizesse o comercial do canal 58, onde em vez de dizer "as trinta milhões de pessoas..." dissesse “os trinta milhões de pessoas”. A propósito ponho-me à disposição da Rede Globo para o ensino de Português, FREE.

2º PARTE: TRATA-SE DO PROBLEMA DO SUPEREGO

Nos anos da ditadura, cometeram-se muitos crimes contra as pessoas e contra instituições. Instituiu-se a CENSURA, um superego extremamente exigente com as pessoas e mau, e da mesma forma leniente com os desmandos do Planalto. Criou-se A IMPUNIDADE. E desde aí, esta vem grassando tenazmente. Nosso problema social , O CRIME, vem do Planalto e dele continuará vindo se não pintarmos a cara como fizemos com o aprendiz Fernando Collor de Mello. Ele foi punido pelo Jardim de Dinda. O superego funcionou bem, com ele. Depois disso o superego se soltou. As pessoas não nascem naturalmente boas ou más, logo, atrás do social existe uma genética pessoal. Eu por exemplo, não mataria, como muitos miseráveis, não por virtude, mas por ter uma genética não criminosa e um superego normal. Um país que como o nosso, beneficia e premia os criminosos comuns e do Planalto com impunidade, não pode dizer que o problema básico da criminalidade e da violência é falta de estudo. Todos os ladrões do Planalto que conhecemos através de CPIS , sabem muito bem do que falo. Eles, com sua impunidade, são exemplo para os que como eles estão marcados genêticamente para crime.
São doutores e aboliram o SUPEREGO

6 comentários:

Patricia Calhau disse...

Carmem, adorei. Gostaria de ler isto nos jornais. Como sempre, vc escreveu sobré o ÓBVIO.
patricia

Maira disse...

oi, carmem. bom te ver aqui! o superego é um animal em extinção. ainda estou decidindo se isto é bom ou ruim. a civilização pode implodir. mas a polêmica é quente. ´não creio que a criminalidade seja geneticamente determinada. aguardo com curiosidade perversa teus relatos de casos, não sei se pretendes.
beijão

Patricia Calhau disse...

Dra. Carmem
Li os cinco livros que a sra. escreveu e nem citou e achei que o que a sra. disse sobre CRIME e sobre educação, ficou muito embrulhado. Parecia que a sra estava com raiva da TV Globo e queria desabafar um monte de assuntos, de uma só vez. Sou sua admiradora há muitos anos.
Um abraço, Marcia

Anna Elisa disse...

Carmem:

Que bom saber de seu blog. Entrando nessa conversa gostaria de fazer uma pergunta: Estamos sem superego, ou só restou um pedaços de superego (como nas psicoses) que atacam e exigem o sujeito, mas não tem a função de proteção da pessoa e do meio em que vive?

obs: Adorei!!!!!!!!!

Anna Elisa

Angela Ursa disse...

Olá, Carmem! Cheguei aqui por indicação da Maira. Concordo que, atualmente, o superego está entrando em extinção. O aumento da violência é um reflexo disso. A impunidade, as mordomias dadas aos criminosos são exemplos. Quanto ao lado genético, acho que influencia sim, mas a história do indivíduo serviria de estopim. Abraços!

nadia couri disse...

Carmem, finalmente separou-se bandidagem de loucura. Acho que voce tem grande importância nisso já que, há mais de 20 anos, voce diz que uma não é requisito para outra, embora possam até aparecer juntas, ás vezes.
Em tempos de Big Brother Brasil, parece ser mister deixar de lado o superego. Parece que este se tornou um empecilho na corrida pelo sucesso, ganha quem tiver menos "vergonha". Não me preocupa tanto o debate sobre a maioridade penal, mas a facilidade com que se mata, a banalização da vida, a falta do lado bom do superego.
Carmem, continue escrevendo. Voce sempre nos enriquece. Um beijo, Nadia